quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sobram-me lenços de papel.

Com certeza em todos estes anos já causei bastantes mais lágrimas do que aquelas que chorei. Lembro-me bastante bem das circunstâncias em que deixei de chorar com a frequência que antes chorava, foi aí pelos quinze, dezasseis anos, e a partir daí só muito excepcionalmente choro.
Um dia destes, já lá vai mais de um mês, ia a conduzir para o trabalho e não me contive, sendo que a canção que nesse momento acontecia lembrava-me como estavam as coisas e da sua real impossibilidade. Estacionei a chorar. Desliguei o carro, a música depois. Insultei-me. As lágrimas pararam. Não voltei a chorar. Nestes últimos dois meses o balanço deve continuar a ser o mesmo, causando mais do que derramando. O que só acresce no balanço. Como compensar? Como manter a adequada digestão destes dias passados e dos por passar?
Como remir este ano? Bonito verbo. É simples, passar um fio pela agulha e cosê-lo aos anos que antes dele aconteceram e ligar tudo tudo, muito bem cerzido. E ver bem, ver muito bem, porque isto anda tudo ligado.
Ainda hoje à tarde em conversa com um recente amigo meu a conversa descaiu para o seu casamento, relação que me parece forte e douradeira. E apareceu por ali em cima da mesa uma tabela de perdas e ganhos.
Não quero ganhar nada. Não quero perder mais. O que tenho conservarei. O que perdi está perdido. Fiquemos por aqui, ok? O resto, e porque de uma operação de divisão agora se trata, pode não ficar para mim, sendo afinal quantia pequena.
O essencial não se divide. Lembrei-o ao passar o ano.
Eu até já sabia...

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