quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Rir.

Pôs-se agora o sol, e foi tão de repente! Assim o resto, assim a estação que desaparece, viras-te para trás e procuras ainda a imagem dos que ficam e já nada vês, e sentas-te, e perguntas-te sobre o que fazer agora. Agora que um comboio imparável te está a levar para um outro lado, sim, porque há um outro lado a esta questão. A esta estação de que partiste. O circuito será largo, será extenso mas no fim vais voltar, a estação a mesma mas "um outro lado". Uma parede que divide, algumas vozes ouves e vais conhecê-las e gritas e elas vão contestar: "tudo bem?", e mais nada. Uma parede que dividiu. E a saída é-te completamente desconhecida mas - o que fazer senão sair duma estação? E sais.
O sol já se pôs e foi de repente. As luzes das ruas estão acesas, uma parte considerável do Verão já deslizou por entre os teus dedos para nunca mais, um calor estúpido, há um cheiro a queimado no ar e pensas: "aqui também ardem as florestas..." e dás por ti a rir.
Mas não há ninguém para rir contigo.

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