domingo, 19 de setembro de 2010

Nada, nada.

“Quem estiver de acordo que levante o braço!” Esta frase dominou muitos anos os plenários dos tais partidos totalitários, onde uma opinião contra era impossível. Pelo contrário, nos partidos democráticos o voto era secreto. E é ainda.
Bom, e vem isto tudo a propósito de quê? Vistos e entrevistos, levantou-se o braço, piada muito particular. O braço levanta-o o náufrago para ultrapassar com os dedos da mão a linha da água e assinalar onde está: “Aqui, salvem-me!” E salvar-se. Seria o caso? Trazias os teus olhos de naufrágio contigo, eu reparei, nem vou pôr-me a inventar porque te erguias detrás daquela coluna de centro comercial e como por magia nos vimos, estarrecidamente, e levantámos os braços. Ou seria apenas o braço sustento da mão que sobe e diz: “presente!”. Sim, presente, é este um fim-de-semana como outro qualquer, os meus pés, repara como bem se arrastam, rentes ao chão – ao contrário dos semanais dias de emprego em jaula.
Sabemos bem a coragem de levantar o braço, já desde os tempos do liceu o alívio que dava quando era uma daquelas outras miúdas a levantá-lo e toma, a responder, a perguntar, a levar na tromba, whatever, e eu não.
Sim, levantemos o braço como quem nega, disfarça, desdenha outra qualquer medida de retenção na fonte das verdades mais íntimas que nos guiam. Sim, isso, levantemos o braço completo como quem nem repara, desconhece, abdica de o reconhecer como um levantamento válido.
Porque será outra a nossa formação e seriam secretos os nosso votos.

Na prática foram segundos. Um fácil trocadilho para quem nunca foi o primeiro em nada.




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