sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Os desenhos.

Da humanidade os mais antigos vestígios, quando saímos de longa viagem da pedra lascada para a pedra polida, são as pedras que nos enterram e as jóias que nos enfeitam.

E ali estavam. O desenho que os meus dedos fizeram um dia, ali. Noutro sítio o nó a duas cores que um dia uniu. Noutro sítio ainda o cautério de uma situação, buraco profundo, feito um sol, como não podia ser de outra forma. Ou ainda desenhos simples como as palavras que te queria dizer, curvas lentas e suaves como os possíveis silêncios que tudo tornam relativo e inofensivo.

Um mar de jóias. Que como sargaço aqui tinham dado à costa. Imagina-as sobre água a boiar. Imagina a escolha certa, o súbito refluxo de todas as outras peças para sobrar apenas uma, a não parar de mexer na pequena onda do mar próximo, como se indecisa, “…e apenas uma servia, e quem a envergasse…”, é deste pó que nascem os mitos, por aqui se vê claramente que as jóias não servem apenas para adornar.

As maiores jóias são como as melhores palavras, não complemento mas o próprio verbo.

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