quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Outra vez a banca da livraria Calendário.

Como passa o tempo. As estações, cúmulo de dias; a chuva, os ventos alternantes. Olho lá para fora e vejo um momento de acalmia. O tempo o faz e desfaz, este intervalo em que te escrevo. Chego à conclusão que já somos velhos conhecidos, que um do outro as superfícies já se gastaram de tanta proximidade. Resistentes ao toque, et pour cause. Gastamo-nos ou conservamo-nos um ao outro? Em manobras arriscadas os nossos barcos têm falhado sucessivas balizas, desenhando piruetas marítimas tão aplaudidas quanto ineficazes. Desconhecemos a pontuação, em que lugar vamos, onde terminará esta corrida de resistência, que em si é o próprio rio. Consta que se segue uma zona rápida, dizem que as pedras perigosas são ali mais para diante.

Bah, isto é nada. Tudo passa, os dias, as marés, a dor depende, a insónia também depende. Mas a dor desperta e a insónia corrige qualquer euforia de ocasião.

O tempo é tudo, as folhas caem, é Outubro, outra vez a Calendário monta a sua banca, o fundo-de-catálogo onde apareço eu também, esqueço-me em que página, sob que referência.

Sem comentários:

Enviar um comentário