segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O telescópio.

Enquanto a revolução acontece cá dentro e lá fora, a minha filha vai serpenteando por entre estas convulsões sociais, e aparentemente decidiu que  quer ser astrónoma.
E foi desencantar um telescópio que in illo tempore me foi oferecido, um muito razoável telescópio, que nunca tinha merecido montagem nem experiência.
Porquê? Pela mesma razão que há uma óptima Canon 500 EOS por aí parada bem como uma impressora nova de fotografia por estrear. A ausência de diálogo ou de intersecção, como o queiram pôr, pode começar no detalhe mais pequeno dos dias e ir terminar nos mais imaginativos, sentidos e valiosos presentes. Curiosamente tais presentes foram sempre derrotados por eu achar que "não havia condições". Esta é uma expressão parva, concedo. Por condições explique-se uma cabeça em perpétuo balanço, logo como observar as estrelas, montar ou exibir isto ou aquilo... Suponho que o que se aplica a esta margem deverá servir também ao abandono recíproco contralateral.
Bom, a minha filha quer ser astrónoma. O telescópio foi montado. Sexta-feira de noite não conseguimos ver nada, nem estrelas, nem vizinhas nuas, nada. Ela desmoralizou. Ontem de tarde, antes de ir trabalhar, estive a tentar afinar a mira. Felizmente depois meti-o para dentro de casa, com a borrasca hoje já não havia telescópio. Terça-feira voltaremos a tentar.
Curiosamente a astronomia foi uma discreta aficción minha de adolescente. Julgo ainda saber algo mais sobre as estrelas e seu mundo do que o vulgo. Enfim, eu seu mais sobre praticamente tudo do que o vulgo, uma maldição que me persegue. Sobre mim se disse que ter-me "em casa" dispensava ter a "enciclopédia do costume, bastava perguntar-me"...

E no entanto não sabia o que era uma "adrasta"...

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